Modelo Científico das Emoções: Mecânica revelada
Razoavelmente distante da razão, quando o ser humano percebe que o conforto é mais saboroso que a lógica e trabalho pela sobrevivência, ele tende a relaxar mais sempre que tem a oportunidade de aumentar o seu conforto, ou seja, a maior parte dos seres humanos, tendem a esquecer os seus atributos e dar valor ao conforto imediato, que acarreta as dificuldades e deficiências que citei anteriormente.

Modelo científico das emoções: mecânica revelada
1. Abstract
A felicidade e sentimentos são conceitos que têm sido debatidos por filósofos, psicólogos e pensadores ao longo da história. No entanto, muitas visões tradicionais capturam apenas fragmentos da realidade emocional humana. Por exemplo, Clóvis de Barros Filho sugere que a felicidade surge da satisfação de desejos alinhados a um propósito maior, inspirado em Espinosa. Outra perspectiva comum, ecoando o estoicismo de Marco Aurélio, afirma que a felicidade depende da qualidade dos pensamentos. Embora essas ideias contenham elementos de verdade, elas são incompletas. Elas representam pedaços isolados de um processo mais amplo e dinâmico. Falar de um pedaço sem conhecer ou ter uma ideia do todo é, para mim, uma forma de imprecisão que pode levar a erros, pois quanto menos se conhece algo, maiores as chances de propagar uma mentira ou de não aproveitar o todo.
Encorajo que usem este meu modelo como base para um sistema de sentimentos para inteligências artificiais sofisticadas e avançadas, como o Homem Bicentenário. Acredito que provocará grandes evoluções na relação das máquinas com os humanos.
Me conterei em utilizar a felicidade como exemplo principal neste ensaio, mas sob o modelo que apresento, você poderá colocar qualquer sentimento no lugar da felicidade sob as circunstâncias certas. Além deste fato, o modelo se provará como base eficaz para utilizá-lo em inteligências artificiais, com o propósito de deixar o comportamento emocional delas mais realista a nível de personalidade.
Keywords: Genius, Intelligence, IQ, Philosophy, Trust, Free, Freedom, science, brain.
2. Introduction: Necessidade Inata de Pertencimento
De acordo com o professor Clóvis de Barros — inspirado em Espinosa —, a felicidade é resultado de viver satisfazendo plenamente os seus desejos quando estão submetidos ao seu propósito de vida, que lhe proporcionarão mais saúde. E um fundamento que ele apresenta aqui sem ao menos perceber a sequência lógica que eu apresento aqui, é que, tudo começa nos seus atributos mais destacáveis.
Para descobrir qual o propósito da sua vida você deve descobrir quais os seus atributos mais destacáveis, no que é que você é muito bom. Seguindo esta lógica, é de se pensar que se eu sou muito bom em algo, certamente que eu gosto de executar diariamente esse algo e que me preocupo em desenvolver este atributo. Porém, qual é o mecanismo que sustenta tudo isso? Que caminho eu segui para desenvolver um sentimento primeiro pelos meus atributos e depois por outras coisas?
Naturalmente todo humano possui a necessidade de sentir-se pertencente à alguém ou à um grupo — porém não se refere a qualquer grupo ou qualquer pessoa —, sob essa necessidade o indivíduo é levado a encontrar pessoas com inclinações iguais ou semelhantes às dele, já que a única maneira do ser humano desenvolver ou aperfeiçoar qualquer habilidade é interagindo com outras pessoas, e ele só consegue desenvolver suas habilidades e encontrar essas pessoas por causa de três coisas que ele possui sobre as suas próprias aspirações.
3. Mecânica básica: C-E-S
Primeira fase
Conhecimento: É impossível que você sinta qualquer coisa por algo sem que tenha alguma noção sobre o que é esse algo ou o que faz esse algo. Sem o conhecimento você não possui base para entender as experiências com esse algo, se a experiência anteceder o conhecimento você não entenderá absolutamente nada pois ainda está tentando compreender qual é a identidade daquilo para depois entender o que ele está fazendo contigo.
Experiência: Uma vez que há conhecimento, as experiências determinam se algo é percebido como positivo ou negativo na prática. O conceito teórico pode diferir da vivência real. Por exemplo, eu posso conhecer o conceito de amor romanticamente idealizado em livros, mas uma experiência real com uma pessoa pode revelar aspectos inesperados, como ciúme ou compatibilidade. As experiências são indispensáveis porque validam ou refutam o conhecimento, e sem elas, o sentimento permanece abstrato e não se manifesta.
Significado: Quando o conhecimento é adequado e as experiências são vividas, atribuímos significado pessoal a algo. O significado é a síntese subjetiva: “O que isso representa para mim?” Ele gera conexão. No entanto, o significado não é estático; ele evolui com novas experiências e conhecimentos atualizados. Por exemplo, em relações humanas, ouvimos sobre uma pessoa (conhecimento), interagimos com ela (experiência) e, com base nisso, decidimos se gostamos ou não (significado), o que então manifesta sentimentos.
4. Construindo minha identidade
Essa mecânica básica é aplicada três vezes antes de se sentir algo.
Na primeira vez que esse mecanismo é aplicado, podemos dizer que você está construindo a base de todos os seus gostos e repertório de vida; primeiro você desenvolve conhecimento por algo — qualquer coisa —, não importa o que seja e a profundidade que tenha, depois você experimenta esse conhecimento na prática, decide se é agradável para você ou não, e nesse processo de gostar ou não, você define qual é o significado que esse conhecimento tem para você: bom ou mau, perigoso ou seguro, dependo disso ou não, necessário para a sobrevivência ou não, é de comer ou não, gostoso ou amargo, pode causar morte ou beneficiar a saúde, é condescendente ou honrado etc.
É claro que todos esses significados e sentimentos que atribuímos às aspirações são formados por forte influência da maneira como cada indivíduo é criado, porém mais influente que o ambiente e primeiras relações que nos cercam, é a cognição de cada indivíduo. Leia: A Matemática de um Zelador.
A capacidade cognitiva de cada pessoa é única e o caminho que seus pensamentos percorrem é tão exclusivo quanto a estrutura da íris dos olhos de cada humano. É por isso que, independente de criar-se humanos em condições e eventos exatamente iguais, é impossível que todos atribuam o mesmo sentimento e com a mesma intensidade à algo sem que isto seja uma convenção ética que determinado grupo segue por terem um campo de sua moral íntima em comum e que queiram compartilhar e defender esse ideal.
Nessa primeira vez que você aplicou esse processo — inato — na infância, adolescência e em qualquer outra fase, observe que você não está necessariamente conectado emocionalmente aos seus atributos, talvez sim ou não, não importa; a questão é que você está construindo um banco de dados bastante abrangente sobre determinado tema, você constrói bancos de dados para cada tema e armazena informações, experiências e significados de cada um com liberdade.
Veja, estes bancos de dados estão predominantemente armazenando temas morais e suas implicações; por que a moral e a ética é o que permite que eu crie um filtro pessoal para determinar o que é bom ou ruim para mim, o que é perigoso ou seguro. Observe: em determinado momento da vida você olhou para uma moça e a considerou fisicamente atraente, por experiência com os demais colegas você confirma ou aprende que ela realmente é atraente, portanto você atribui a aparência dela ao significado de que aparências semelhantes a traços meta-informados no corpo dela estão presentes em pessoas fisicamente bonitas — até este momento não há sentimentos, apenas informações — e aqui você cria um banco de dados que julga quem é bonita ou feia, em outro banco de dados você julga quem é bom ou mau, quem é inteligente ou burro.
Logo mais tarde esses bancos de dados farão parte de um filtro neste mesmo mecanismo que irá se repetir, que me permitirá determinar o que eu gosto e o que eu não gosto. Mas você não percebeu que você sempre aplicou este processo, certo?
5. Quando eu começo a gostar de algo eu crio a minha identidade
Você vai perceber agora que “gostar” não é um sentimento, mas uma condição intelectual.
Eu costumo dizer que absolutamente e literalmente, tudo o que existe neste universo e tudo o que acontece nele é questão de inteligência. Quanto maior a inteligência, maiores as chances de sucesso onde for empregado os seus esforços, e melhores são as suas decisões, observações e definições.
A maioria das decisões humanas são orientadas para a sua própria sobrevivência, e toda decisão é tomada por meio de alguma linha de raciocínio, ainda que este não tenha sido diretamente consciente mas instintivo. Portanto, se a maioria das decisões humanas são orientadas a garantir a própria sobrevivência, é lógico que ao descobrir algo novo o indivíduo aplicará o processo que apresentei acima, para determinar se aquilo irá de alguma forma auxiliar ou não a sua sobrevivência e conforto no decorrer de sua vida. Sendo assim, é perfeitamente lógico que aquilo que ele julgar útil em sua vida, ele irá manter por perto, aquilo que ele julgar que pode colocá-lo em perigo, prefere manter distante. Isso que é gostar, é ter preferência por manter algo que lhe faça sentir-se seguro, confortável e sentir-se com maiores chances de sobreviver e de ter uma melhor qualidade de vida por meio do conforto seguro.
E então descobrimos certos níveis de sofisticação da inteligência de cada indivíduo, uns optam por não estudar e entender como o mundo funciona, porque acham que só precisam compreender o local onde vivem para ter sucesso onde vivem, enquanto outros preferem entender o mundo inteiro, porque independente de onde estiverem e onde seus esforços forem aplicados o perigo pode vir de qualquer direção e de qualquer tipo de natureza, e entendem que é melhor conhecer o perigo de outras naturezas para descobrirem qual a melhor forma de prevenir e se proteger contra eles. É por isso que algumas pessoas preferem fazer faculdade e outras não, umas preferem morar em montanhas, outras no cerrado e outras na praia, uns preferem comer insetos e outros preferem frutas colhidas de árvores. Geralmente um é mais dotado de boa qualidade intelectual e outro é menos dotado dessa capacidade.
Na questão da sobrevivência, o mais inteligente tende a manter a sua vida por considerar mais variáveis como boas ou más, e assim ele começa a construir sua própria personalidade e estilo de vida ao impor limites e dar significado ao que ele conhece, se lhe faz sentir-se bem ou mal. Isso chama-se “saúde”, ela é tudo aquilo que faz sentir-me bem e confortável, e aqui descobrimos outro nível de sofisticação intelectual, pois nem tudo que faz eu me sentir confortável é bom para a minha sobrevivência e conforto a médio ou longo prazo.
Aquele que não é tão inteligente, geralmente busca todo tipo de conforto sem ter noção dos riscos a longo prazo, como plantas que o fazem relaxar mas que mais tarde o farão padecer e perder seu conforto por causa de um tumor, manter por perto pessoas com brincadeiras e conversas divertidas mas que são extremamente hostis e que podem apunhalá-lo pelas costas a qualquer instante e costumam dar péssimas sugestões e conselhos para vê-lo ou mantê-lo em seu fracasso.
Já o que é mais inteligente, por vezes vê o prejuízo a longo prazo, mas ainda assim alguns destes preferem assumir os riscos e consequências, o que pode condená-los ao fracasso em algum momento; isso se chama preferência temporal, e se um indivíduo menos inteligente aplicar suas preferências de conforto melhor que um indivíduo muito inteligente, em algum momento esse sujeito poderá ter alguma chance de estar à frente deste indivíduo muito inteligente.
Observe que aqui aplicamos o mecanismo pela segunda vez, ainda sem sentimentos, para determinar o que fica comigo para meu conforto e sobrevivência, e o que ficará distante de mim.
Segunda fase
Conhecimento: Já possuo bancos de dados que apenas me entregam informações, as quais irei retirar de cada um para julgar a utilidade dos próprios e de novos elementos e habilidades descobertas, para definir se são bons ou ruins para minha sobrevivência e qualidade de vida.
Experiência: Além de provar a utilidade e se é bom ou mau, também me permite descobrir como administrar esses recursos; alguns deles podem ser tanto úteis para a sobrevivência como perigosos, como o fogo, pode machucar mas também pode aquecer durante o inverno, assar alimentos e limpar áreas e objetos.
Significado: É quando decidimos qual a finalidade daquele recurso, para o que ele será usado e como será usado.
A soma desses três resulta em: eu gosto, não gosto ou não gosto tanto.
A intensidade do gostar depende do quão útil isto será para a sua vida e o que é útil para a sua vida depende do ambiente em que você está inserido e da sua inteligência que irá definir o que você vê e entende naquele ambiente, o que dá para fazer naquele ambiente, se existe um ambiente melhor, se é melhor você mudar de ambiente e como irá mudar de ambiente.
Tudo é uma questão de inteligência e sobrevivência.
Mas aqui ainda não tem sentimentos, o seu conceito de bom e mau depende do que faz seu corpo sentir-se confortável e sua mente menos confrontada, você quer algo porque esse algo irá contribuir de forma lógica em alguma coisa para o seu bem-estar, mesmo que às vezes você queira algo inútil que lhe dará ânimo apenas naquele instante e não será utilizado novamente. Pessoas mais inteligentes tendem a ter mais confrontos em suas mentes, perguntas e ideias, as quais são satisfeitas quando encontram respostas.
6. Finalmente estou sentindo algo
Quando finalmente você tem a intensidade do que gosta definida, chega então a hora de repetir o mecanismo pela terceira vez. Observe que na primeira vez, o processo pegava informações abrangentes, depois afunila para uni-las e julgar o que é bom ou mau, e agora afunilou o suficiente para focar qual sentimento será associado ao artefato em questão, seja um conhecimento, pessoa, objeto, animal, estrela, planeta, conceito etc.
Vejamos a felicidade, vamos aplicar nosso modelo em uma mulher.
Na primeira fase você condena essa mulher a ser bela, na segunda fase você diz “o que considero belo é útil para meu conforto em minha sobrevivência, então eu gosto dessa mulher” — vale informar que o conforto também está incluindo a vaidade, que é tudo aquilo que te faz ser útil para o conforto da vida do outro, o que por vezes é parte da ética e debate sobre a moral — então você gosta daquela mulher.
Mas o que é que faz você sentir algo por ela?
Terceira fase
Conhecimento: Primeiro você reúne informações sobre ela, passa essas informações pela fase 2 e decide o que naquela mulher é bom ou mau para você; desde conhecimentos, até o modo de conversar, estilo de se vestir, interesses e intenções.
Experiência: Agora você conversa com ela e às vezes apenas a observa, você está reunindo mais informações e tomando provas, além de estar experimentando como você consegue se conectar com ela por meio da comunicação e criar um vínculo, seja de amizade ou qualquer outra intenção.
Significado: É quando você valida, reprova ou deixa aquela pessoa esquecida em seu sistema de sobrevivência.
Ainda sobre o significado: quando você está prestes a associar determinado sentimento a algum artefato ou pessoa, você não faz um julgamento isolado, você associa este a todo o conhecimento de vida que você tem na primeira e segunda fase; tudo o que você conhece de bom ou ruim para você, você irá procurar naquele artefato ou pessoa em absolutamente todas ou quase todas as descrições que o artefato ou a pessoa tiver.
O sentimento que você irá associar a essa mulher — ou qualquer artefato — dependerá do quanto ela é semelhante e compatível com os seus atributos, ou seja: o quão compatível é com o seu estilo de vida / instinto de sobrevivência, ou seja: o quão pertencente você se sente a ela ou ao grupo dela por compartilharem atributos em comum ou confortos em comum. Quanto mais pertencente você julgar ser àquele sistema, mais intenso será o sentimento nesta fase.
Sendo assim, o sentimento é o selo que atesta uma conexão ou uma correlação. Amor, rancor, saudade, medo. Amor é conexão; rancor ou medo ou raiva, que distância é correlação, significa que o artefato ou a pessoa não faz bem para você e você se relaciona a ela com o significado de que deve manter a distância, e se distância não for o suficiente você sente que deve se proteger e se armar contra a suposta ameaça ou como se fosse uma ameaça.
Se o artefato ou aquela pessoa proporciona a você o que você considerar serem os melhores momentos da sua vida em um intervalo de tempo com ela — os melhores momentos com uma pessoa ou artefato específico —, isso constitui o amor, pois existe uma compatibilidade de atributos, propósito e confortos entre vocês, o suficiente para que a conexão seja suficientemente agradável para ambos sentirem que estão em desenvolvimento e em conforto de maneira adequada, o que constitui uma boa comunicação e compreensão um do outro.
Razoavelmente distante da razão, quando o ser humano percebe que o conforto é mais saboroso que a lógica e trabalho pela sobrevivência, ele tende a relaxar mais sempre que tem a oportunidade de aumentar o seu conforto, ou seja, a maior parte dos seres humanos tendem a esquecer os seus atributos e dar valor ao conforto imediato, que acarreta as dificuldades e deficiências que citei anteriormente. Sabemos que desenvolver os atributos é mais preferencial e saudável do que conforto imediato com expectativa de prejuízo a longo prazo, porém por causa da correlação de bem-estar da sobrevivência com a qualidade de vida que o conforto proporciona, o ser humano tende a cometer certas negligências.
Em verdade, num cenário ideal você e a mulher deveriam unir-se por terem atributos e propósitos semelhantes, mas por pouco conhecimento e disciplina as pessoas tendem a unir-se num matrimônio porque possuem confortos em comum; o homem sente conforto na beleza e sensualidade da mulher e ela sente conforto na beleza e sensualidade dele, mas como bem observado, considerar apenas o conforto não garante saúde no longo prazo, pois o intelecto e instinto de sobrevivência de ambos neste cenário é totalmente divergente, e o modo de sobrevivência de um não converge com o modo de sobrevivência do outro, logo um acaba por não compreender e se comunicar adequadamente com o outro. Leia o livro: Osso e Carne — Tratado de Coniugio Vero.
7. Conclusão
Neste ensaio básico é assim que se desenvolve e o que são personalidades e como funcionam os sentimentos, eles são um selo de identificação, uma ferramenta para a sobrevivência, porém o indivíduo deve desenvolver seu intelecto para evitar más decisões e más escolhas no decorrer da vida que possam acarretar ao longo prazo sentimentos desagradáveis que indicam que os métodos de sobrevivência adotados não estão sustentando o corpo e a mente adequadamente. Encorajo a aplicar ou usar este meu modelo como base para um sistema de sentimentos para inteligências artificiais sofisticadas e avançadas, como o Homem Bicentenário, acredito que provocará grandes evoluções na relação das máquinas com os humanos.
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Escrito por Alisson
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